Exame 32º OAB · FGV · Direito Penal · Questão 59

Denunciação Caluniosa e Tipicidade — Questão 59 do 32º Exame OAB

Enunciado da questão

Francisco foi vítima de uma contravenção penal de vias de fato, pois, enquanto estava de costas para o autor, recebeu um tapa em sua cabeça. Acreditando que a infração teria sido praticada por Roberto, seu desafeto que estava no local, compareceu em sede policial e narrou o ocorrido, apontando, de maneira precipitada, o rival como autor.

Diante disso, foi instaurado procedimento investigatório em desfavor de Roberto, sendo, posteriormente, verificado em câmeras de segurança que, na verdade, um desconhecido teria praticado o ato. Ao tomar conhecimento dos fatos, antes mesmo de ouvir Roberto ou Francisco, o Ministério Público ofereceu denúncia em face deste, por denunciação caluniosa.

Considerando apenas as informações expostas, você, como advogado(a) de Francisco, deverá, sob o ponto de vista técnico, pleitear

Alternativas

  1. A) a absolvição, pois Francisco deu causa à instauração de investigação policial imputando a Roberto a prática de contravenção, e não crime.
  2. B) extinção da punibilidade diante da ausência de representação, já que o crime é de ação penal pública condicionada à representação.
  3. C) reconhecimento de causa de diminuição de pena em razão da tentativa, pois não foi proposta ação penal em face de Roberto.
  4. D) a absolvição, pois o tipo penal exige dolo direto por parte do agente. (Gabarito)

Gabarito oficial: Alternativa D

Fundamento e comentários da questão

O crime de denunciação caluniosa exige dolo direto, ou seja, a ciência da inocência do imputado. Francisco agiu de forma precipitada, sem dolo direto de imputar crime falso.